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Glossário técnico

Um glossário é uma lista ordenada alfabeticamente de termos técnicos, especializados ou pouco comuns, acompanhados das respetivas definições. Funciona como um dicionário temático, que explica o vocabulário próprio de uma determinada área.

Neste glossário reunimos os principais termos usados no setor dos pavimentos exteriores em compósito — materiais, propriedades técnicas e entre outros. Pretende ser um recurso de consulta rápida para quem procura clarificar conceitos que aparecem em fichas técnicas, manuais de instalação ou páginas de produto. As entradas estão organizadas por ordem alfabética.

A    B    C   D    E    F    G    H    I    J   K    L    M    N    O    P    Q    R    S    T    U    V    W    X    Y    Z

A

Propriedade de um material que traduz a quantidade de água que este retém quando exposto a humidade ambiente ou em contacto direto com água. É uma das propriedades mais determinantes em materiais para exterior, por estar na origem da variação dimensional, do apodrecimento e da degradação biológica.

Cavidade interna, geralmente de seção longitudinal contínua, existente num perfil extrudido. Nas réguas alveolares para pavimentos exteriores, os alvéolos reduzem o peso da peça sem comprometer significativamente o seu desempenho mecânico.

C

Camada exterior, formada por uma composição de polímero de elevada resistência, que envolve o núcleo de um perfil compósito. Sela a superfície do material, reduzindo drasticamente a absorção de humidade e reforçando a estabilidade de cor e a resistência à abrasão.

Designação dada, na formulação de materiais compósitos, aos componentes que ocupam volume e contribuem para as propriedades finais do material, mas que não constituem a sua matriz. Nos compósitos de madeira e plástico (WPC), as fibras de madeira são a carga funcional principal: percentagens mais elevadas reduzem o custo, mas aumentam a absorção de humidade; percentagens mais baixas favorecem a estabilidade dimensional, mas reduzem o desempenho mecânico.

Grandeza física que exprime a variação relativa das dimensões de um material (comprimento, área ou volume) por cada grau de variação de temperatura. Indica-se, geralmente, em 1/°C ou 1/K. É um parâmetro de projeto em qualquer estrutura ou pavimento sujeito a variações térmicas, porque condiciona a dimensão das folgas de dilatação a prever.

Material resultante da combinação de dois ou mais constituintes com propriedades distintas que, em conjunto, produzem um material com características superiores às dos componentes isolados. Um compósito é normalmente formado por uma matriz (contínua) e uma ou mais cargas (descontínuas). No setor dos pavimentos exteriores, o compósito mais utilizado é o WPC, que combina fibras de madeira, polímero e aditivos.

Disposição de peças em forma de espinha de peixe, em que cada peça é colocada perpendicularmente à seguinte, formando ângulos sucessivos. Aplicada a pavimentos, exige planeamento específico da estrutura de apoio e das folgas entre topos das peças.

Solução de acabamento em que duas peças que formam canto são cortadas a 45°, encontrando-se num bisel. Alternativa estética ao cruzamento perpendicular, frequentemente usada em pavimentos de geometria regular para obter cantos limpos, sem topos à vista.

D

Pavimento de réguas assentes sobre uma estrutura ventilada, destinado a espaços exteriores como terraços, varandas, jardins, esplanadas e zonas envolventes a piscinas. Pode ser fabricado em madeira natural, compósito ou outros materiais. Em português usa-se também a expressão “pavimento de deck”; em alguns contextos aparece a grafia adaptada “deque”.

Deck cujas réguas são fabricadas em material compósito, tipicamente WPC (Wood-Plastic Composite). Combina o aspeto e a textura da madeira com maior resistência à humidade, à radiação UV e à degradação biológica, com necessidades de manutenção muito inferiores às da madeira natural.

Frequentemente designada por DoP (do inglês Declaration of Performance), é um documento formal, previsto no Regulamento (UE) n.º 305/2011 relativo aos produtos de construção, que declara o desempenho de um produto face às características essenciais aplicáveis. A elaboração e disponibilização da DoP é condição obrigatória para a aposição da marcação CE.

Deterioração de um material provocada pela ação de agentes biológicos — fungos, bolores, musgos, térmitas e outros insetos xilófagos. É a principal causa de falha prematura em pavimentos exteriores de madeira natural. Os compósitos WPC, pela presença da matriz polimérica, apresentam resistência significativamente superior a este tipo de degradação.

Grandeza física que exprime a relação entre a massa e o volume de um material, habitualmente em quilogramas por metro cúbico (kg/m³). Nos pavimentos de deck compósito, a densidade permite distinguir configurações: as réguas maciças são, para a mesma secção, mais densas que as alveolares.

E

Capacidade de um material manter a sua tonalidade ao longo do tempo, sem descoloração significativa provocada pela exposição solar e pelos agentes atmosféricos. Depende da formulação do material, da presença de estabilizadores UV e, nos compósitos, da eventual existência de uma capa polimérica exterior.

Capacidade de um material manter a sua forma e as suas medidas ao longo do tempo, apesar das variações de temperatura e humidade. É uma das propriedades mais relevantes num pavimento exterior: quanto maior a estabilidade dimensional, menor a probabilidade de fendas, empenamentos ou deslocamentos nas juntas.

Estrutura que se sustenta pelos seus próprios apoios ou pedestais, sem ser fixada à laje ou ao pavimento subjacente. É a solução adotada quando não é possível perfurar a base (por exemplo, sobre telas impermeabilizantes em terraços) ou quando é necessário elevar a cota do pavimento para acomodar instalações técnicas, drenagens ou desníveis.

Processo de fabrico em que um material, habitualmente em pó ou granulado, é aquecido até se tornar plástico e forçado a atravessar uma matriz (orifício de forma definida), dando origem a um perfil de secção constante e comprimento contínuo. É o processo base de fabrico de perfis em metal, PVC, alumínio e materiais compósitos como o WPC.

F

Partículas ou filamentos de madeira, obtidos a partir de resíduos ou subprodutos da indústria da madeira, utilizados como carga funcional em materiais compósitos. Contribuem para o aspeto, a textura e parte das propriedades mecânicas do material. São o componente natural dos compósitos WPC.

Espaço deixado, no ato da instalação, entre peças contíguas e entre peças e elementos fixos (paredes, muros, degraus), para acomodar as variações dimensionais do material causadas por temperatura e humidade. A sua dimensão depende da natureza do material, do comprimento das peças e das condições climáticas do local.

M

Marca aposta num produto pelo fabricante, declarando a conformidade com a legislação europeia aplicável e permitindo a sua livre comercialização no Espaço Económico Europeu. Nos produtos de construção, a marcação CE é regulada pelo Regulamento (UE) n.º 305/2011 (Regulamento dos Produtos de Construção) e pressupõe a emissão de uma Declaração de Desempenho.

Componente contínuo de um material compósito, em cujo interior se encontram dispersas as cargas ou reforços. Nos compósitos WPC, a matriz é polimérica — tipicamente PVC, PE (polietileno) ou PP (polipropileno) — e é o componente que garante a coesão do material, a resistência aos agentes atmosféricos e a durabilidade.

Disposição das réguas de um deck em que os topos ficam alinhados entre fiadas adjacentes, formando juntas contínuas transversais ao comprimento das réguas.

Disposição das réguas de um deck em que os topos ficam desalinhados entre fiadas adjacentes, como num aparelho de tijolo. É a montagem mais comum em pavimentos exteriores.

P

Sistema de pavimento em que o revestimento superior não é fixado rigidamente à base, assentando apenas sobre uma estrutura de apoio, com ou sem manta de desacoplamento. A ausência de fixação rígida permite acomodar variações dimensionais do material, evitando tensões internas, empenamentos e fendilhação. Aplica-se, com variantes, a pavimentos laminados interiores e a decks exteriores.

Material constituído por longas cadeias moleculares formadas pela repetição de unidades químicas simples (monómeros). Existem polímeros naturais (como a celulose ou a borracha natural) e polímeros sintéticos (os plásticos). Nos compósitos para o exterior, os polímeros mais utilizados são o PVC, o polietileno (PE) e o polipropileno (PP), pela resistência mecânica, estabilidade térmica e durabilidade face aos agentes atmosféricos.

Policloreto de vinilo, na designação inglesa Polyvinyl Chloride. Termoplástico utilizado em vastíssimas aplicações, da construção à saúde, pela elevada resistência química e mecânica, boa estabilidade térmica e forte resistência à radiação UV e aos restantes elementos do clima. É um dos polímeros mais utilizados como matriz em compósitos WPC.

R

Conjunto de propriedades que traduzem a contribuição de um material para o desenvolvimento e propagação de um incêndio. Na União Europeia, é classificada de acordo com a norma EN 13501-1 (“Euroclasses”), que define sete classes principais para produtos de construção — A1, A2, B, C, D, E e F — em que A1 corresponde aos materiais que menos contribuem para o incêndio e F aos que mais contribuem. Distingue-se da resistência ao fogo, que se refere à capacidade de elementos construtivos manterem a sua função durante um incêndio.

Régua de pavimento cujo perfil apresenta cavidades internas (alvéolos) ao longo de todo o comprimento. Mais leve do que a régua maciça de secção equivalente, mantém uma boa relação peso/resistência. É a configuração mais comum em decks compósitos.

Régua de pavimento compósito revestida, durante o processo de fabrico, por uma capa polimérica que envolve toda ou parte da sua superfície. A capa sela o núcleo do material, reduzindo drasticamente a absorção de humidade e reforçando a estabilidade de cor, a resistência à abrasão e a facilidade de limpeza.

Régua de pavimento de secção cheia, sem cavidades internas. Mais pesada e com maior densidade do que a régua alveolar, é utilizada em aplicações onde se pretende maior inércia ou capacidade de carga. Pode apresentar a mesma configuração exterior das réguas alveolares, permitindo a combinação das duas configurações na mesma instalação.

Capacidade da superfície de um material resistir ao desgaste provocado por atrito — tráfego pedonal, arrastamento de mobiliário, ação de areia e poeiras. Propriedade determinante em pavimentos exteriores sujeitos a uso intensivo.

Propriedade mecânica que exprime a capacidade de um material ou elemento estrutural resistir a forças que tendem a dobrá-lo, sem fraturar nem apresentar deformações excessivas. Nos perfis de deck, é habitualmente determinada segundo a norma EN 310 e expressa em N/mm² (megapascal).

Capacidade de um material resistir à degradação provocada pelos raios ultravioleta do sol, nomeadamente à descoloração superficial e à fragilização da matriz polimérica. É uma propriedade determinante na escolha de qualquer material aplicado no exterior e depende, em grande medida, da presença de estabilizadores UV na formulação.

T

Membrana contínua, geralmente em betume modificado ou PVC, aplicada sobre lajes, coberturas e terraços para impedir infiltrações de água nas estruturas inferiores. Não pode ser perfurada sem comprometer a sua função, pelo que, quando se pretende instalar um pavimento sobre tela impermeabilizante, é necessário recorrer a uma estrutura autoportante.

Plástico que amolece quando aquecido e endurece ao arrefecer, podendo ser reprocessado várias vezes sem alteração significativa das suas propriedades. Esta característica torna os termoplásticos recicláveis e adequados a processos de transformação por extrusão, injeção ou sopro. O PVC, o polietileno (PE) e o polipropileno (PP) são termoplásticos.

V

Alteração das dimensões de uma peça (comprimento, largura ou espessura) provocada por variações de temperatura e humidade. Quanto menor for a variação dimensional, mais estável é o material ao longo do tempo e menor a folga de dilatação a prever na instalação.

W

Sigla de Wood-Plastic Composite, compósito de madeira e plástico. Material resultante da combinação de fibras de madeira, matriz polimérica (PVC, PE ou PP) e aditivos. É a designação internacional utilizada em fichas técnicas, normas europeias e documentação aduaneira, e encontra aplicação no fabrico de decks, revestimentos de fachada, vedações, mobiliário urbano e outros produtos exteriores.